sexta-feira, 25 de julho de 2008

Quarteto Lambari (1966)

Precioso conjunto de bossa-jazz instrumental, formado pelos músicos Eduardo Pecci "Lambari" (sax-alto), Hilton J. Valente "Gogo" (piano), Ricardo de Azevedo "Capacete" (baixo) e Hamilton Pitorri (bateria). Quarteto Lambari (Farroupilha, 1966) álbum de arranjos agradáveis e finos, destacando o saxofone de Pecci, como em "Sonho de Carnaval", "Razão de Viver", "Estamos Aí", "Miss Biquíni", "Tempo Feliz", "Mar Amar", "Ama", "Vem o Sol" e outras mais.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Jongo Trio (1965)

Conjunto formado em São Paulo, com Cido Bianchi (piano), Sabá (baixo) e Toninho Pereira (bateria). Com menos de um ano de vida, foi um dos grupos mais interessantes durante a febre dos trios - pelo seu instrumental possante e competente, combinado com vocais ousados, muito devido a Sabá, que integrou conjuntos vocias no Pará no começo dos anos 1950. Atingiram relativo sucesso com "Menino das Laranjas" (Théo de Barros), do seu único e fabuloso álbum Jongo Trio (Farroupilha, 1965), mais "Feitinha pro Poeta", "Seu Chopin, Desculpe", "Arrastão", entre outras. Por suas apresentações no circuito noturno da Bossa paulista, foram convidados a participar da gravação do programa O Fino da Bossa, no Teatro Paramount, com Elis Regina e Jair Rodrigues, que resultou indispensável LP Dois na Bossa.

domingo, 20 de julho de 2008

Conjunto Farroupilha

O grupo era integrado por Danilo Vidal de Castro - Porto Alegre, RS - 1927; Tasso José Bangel - Taquara, RS - 1931; Iná Bangel - Porto Alegre, RS - 1933; Estrêla d'Alva Lopes de Castro - Livramento, RS - 1934 e por Sidney do Espírito Santo - Sorocaba, SP - 1925.

O grupo foi criado em 1948 na Rádio Farroupilha em Porto Alegre. Inicialmente dedicou-se a interpretar um repertório de canções típicas do Rio Grande do Sul. Em 1952 gravaram o primeiro disco pela Copacabana, que foi o quarto LP a ser prensado no Brasil. Em 1956 o conjunto tranferiu-se para São Paulo iniciando uma série de excursões pelo Brasil e exterior. No mesmo ano gravaram "A chimarrita", toada em estilo gaúcho de Dilu Melo. Em 1957
gravaram o LP "Gaúchos em hi-fi". Gravaram também no mesmo ano "Gauchinha bem querer" de Tito Madi. Durante vários anos o grupo manteve contrato com a VARIG e com o Ministério das Relações Exteriores, promovendo o Brasil no exterior. Visitaram diversos países, entre os quais a China e a antiga União Soviética. Em cada país visitado, o grupo incorporava a seu repertório uma canção típica para homenagear as platéias locais. Dessa forma foi crescendo o seu repertório internacional, com músicas que depois eram lançadas em seus discos aqui no Brasil, como "Noites de Moscou" e "Liechtensteiner Polka". Em países como a União Soviética, Alemanha e Venezuela, gravaram discos que nem foram lançados no Brasil. O Conjunto Farroupilha foi o primeiro a projetar nacional e internacionalmente a música gaúcha. Lançaram entre outros os nomes de Barbosa Lessa e Paixão Côrtes. Entre seus grandes sucessos incluem-se, "Gauchinha Bem-Querer", "Piazito Carreteiro", "Negrinho do Pastoreio", "Prenda Minha", "Boi Barroso" e "Chimarrita Balão". Nos anos 1960 enveredaram pela Bossa Nova, tendo gravado entre outras, "Por causa de você" de Antônio Carlos Jobim e Dolores Duran e "Moça da chuva" de Paulinho Nogueira e Rita Moreira. Em 1961 gravaram com grande sucesso, "A mesma rosa amarela" de Capiba e Carlos Pena Filho. Também nos anos 1960 mantiveram um programa exclusivo na TV Record de São Paulo. Por volta de 1963, Tasso Bangel e Danilo Vidal criaram a gravadora Farroupilha, a qual passaram a se dedicar. Em 1971 o grupo desativou suas atividades devido aos compromissos pessoais de seus integrantes. Até aquele momento haviam gravado 15 LPs e vários compactos e discos de 78 rpm. Em 1983 voltaram a se apresentar no programa "Som Brasil", mantendo a formação original - Tasso, Danilo e Estrela d'Alva - entrando Norma Nagib e Sabiá. Foram oito meses de ensaio para que o retorno mantivesse a qualidade dos trabalhos anteriormente desenvolvidos pelo grupo. No mesmo ano, lançaram pela RGE um LP, com destaque para as composições "Viagem de Carreta", "Meu Tesouro", "Sal grosso" e "Tempo de rancheira", todas de Tasso Bangel; "Jardim da saudade" e "Amargo", de Lupicínio Rodrigues; "Hino ao Rio Grande" de Simão Goldman; "Minuano" de Arthur Elzner e Ney Messias; e "Gaúcho largado" e "Mariana" de Pedro Raimundo.
Texto Dicionário Cravo Albin

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Roberto Menescal (1969)

Menescal, um dos mais influentes músicos brasileiros, nasceu em Vitória - ES (25.10.1937), em fins da década de 50, foi um dos pilares da Bossa Nova e compôs alguns clássicos como "Barquinho", "Nós e o Mar", "Rio" e "Você", além de ter participado do antológico show no Carnegie Hall em 1962.

Formou o seu prório conjunto, que gravou e acompanhou diversos nomes importantes da música brasileira e internacional como Dorival Caymmi, Elis Regina, Aracy de Alemida, Sylvia Telles, Herbie Mann, Paul Winter e outros. Durante os anos de 1970 - 1985, foi produtor, diretor artístico e gerente geral da Polygram, onde também trabalhou como arranjador e instrumentista.

No ano de 1969, após uma excursão à Europa, onde esteve com o seu Conjunto e tocaram com Elis Regina, registrou pela Forma este LP, que na capa, mostra um Roberto Menescal relaxado, em suas maiores paixões, a pesca submarina, o mar e o sol. Com um repertório de belas composições em arranjos sofisticados (nota-se uma pegada mais psicodélica), destacam-se: "Depois da Queda"- que fez parte da trilha sonora da novela Véu de Noiva da TV Globo, "Amazonas", "Litoral", "Rema", "Nanã" e "Five Tour".

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Charles Kynard

Charles Kynard (1933-1979) organista americano de soul/jazz, percursor do acid jazz, que lançou seus álbuns pela Prestige Records, vamos a três deles.

Reelin With The Feelin' (1969) / Wa-Tu-Wa-Zui (1971) são álbuns daquela série dois Lp's em um CD, o primeiro disco de 69 é muito bom, com Kynard em ótimos solos, em "Reelin With The Feelin", "Soul Reggae", "Boogaloogin" e na balada "Be My Love". Wa-Tu-Wa-Zui, e sua música tema com um venenoso riff de guitarra, a linha de baixo de "Zebra Walk", a bela levada de "Winters Child", e tudo elmodurado pelas teclado de Charles, acompanhado de Jimmy Lewis (baixo), Idris Muhammad e Bernard Purdie (bateria), Melvin Sparks (guitarra), Rusty Bryant (sax), Virgil Jones (trumpete), produção de Bob Porter e gravado pelo mestre Rudy Van Gelder.

Woga (1972) o álbum abre com uma releitura da magistral "Little Ghetto Boy", e depois só preciosidades, como as funky "Rock Steady", "Hot Sauce" e "Name The Missing Word", temas apurados como "The First Time Ever (I Saw Your Face)" e "Lime Twig". Os músicos deste registro são: Chuck Rainey (baixo), Arthur Adams (guitarra), David Roberts (trombone), George Bohanon (trombone), James Kartchner (trumpete), Jerome Rusch (trumpete), Paul Humphrey (bateria) e arranjos de Richard Fritz.

Amado Maita (1971)

Primeiro, único, raro e magnífico álbum lançado pela Copacabana do cantor, baterista, compositor e jornalista paulista Amado Maita, disputado a peso de ouro por colecionadores do mundo todo - nem o próprio artista tinha um exemplar. Gravado em apenas 16 horas, com influências do samba e do jazz, belas letras, melodias brilhantes e uma banda que incluía o sensacional Edison Machado (bateria), Guilherme Vergueiro (piano), Ricardo Pereira dos Santos (baixo), Silas (trombone), Ion Muniz (sax), Antônio Barbosa (violão e arranjos) e Mozar Terra (arranjos). "Samba de Amigo", "Mariana", "Gestos", "Os Mergulhadores", "Piedade" e "Reflexão", são algumas das composições que merecem destaque deste LP.

Ouça entrevista de Amado Maita para o programa Empoeirado

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Conjunto Jovem Braza - Apresenta Samba Jovem (1966)

Único LP lançado por este obscuro conjunto brasileiro que fazia uma fusão do rock (jovem guarda) com o samba/bossa nova, embrião do que iria culminar com o sambarock nos anos 70. Os músicos que compõem o Conjunto Jovem Braza são: Mário Castro Neves e Chico Feitosa (guitarras), Novelli (baixo), Miguel (sax) e Pedrinho (guitarra) dos The Fevers e Normando (bateria). Destaque para as clássicas faixas balançadas como "Mas Que Nada", "Mexerico da Candinha", "Quero Que Vá Tudo Por Inferno" e "O Carango", e as bossanovistas "Água de Beber", "Só Danço Samba" e "É De Manhã". Merece ressaltar duas composições presentes neste álbum, da dupla Mário Castro Neves e Chico Feitosa, a cheio de balanço "Em Sua Homenagem" e "Jovem Braza" que faz a apresentação do conjunto e suas influências.

Young Holt Unlimited Plays Superfly (1973)

Formada em Chicago nos anos 60 como um conjunto de soul-jazz instrumental. Em 1973 registraram Young Holt Unlimited Plays Superfly - da trilha sonora do filme magistralmente composta por Curtis Mayfield, executando os temas "Superfly", "Give Me Your Love", "Pusher Man" e "Freddie's Dead". Também há espaço para outras pérolas como "People Make The World Go Round" e "Could It Be I'm Falling In Love", álbum agradável e altamente recomendável.

Cecil Holmes Soulful Sounds

Cecil Holmes era um executivo e produtor da Buddah Records e como band-leader, gravou estes dois excelentes trabalhos, com a parceria de Tony Camillo, na produção, nos arranjos e na condução da banda.

The Black Motion Picture Experience (1973) é um apanhado das melhores músicas das trilhas sonoras de blaxploitation de artistas como Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Isaac Hayes e uma releitura 'funky' venenosa de "Also Sprach Zarathrusta".

Music For Soulful Lovers (1973) um excelente registro do bom 'soulful' instrumental, com um pouco de vocais e luxuosa sonoridade, para um repertório selecionado com o melhor das baladas românticas, como nos admiráveis arranjos para a primorosa "I'm Gonna Love You Just A Little More, Baby" - de Barry White, "You Are The Sunshine Of My Life", "Call Me, Come Back Home" e entre outras. O trabalho traz algum material original como nas interessantes "Soulful Love" e "Stay With Me".













terça-feira, 8 de julho de 2008

Edwin Birdsong (1979)

Edwin Birdsong em seu auto-intitulado álbum de 1979. Nunca foi um músico que atingiu sucesso - seu primeiro disco é de 1972, mas redescoberto, obteve fama com "Cola Bottle Baby" - primeira faixa do LP, com a qual os franceses do Daft Punk samplearam para "Harder, Better, Faster, Stronger" e posteriormente usado por Kanye West no megasucesso "Stronger". Outras boas músicas deste trabalho influenciado pela disco-funk são: "Phiss-phizz", "Lollipop Show" e "Goldmine".

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Som Ambiente (1972)

Um raro disco, lançado pela CID e reeditado pelo selo inglês Whatmusic (que tem em seu catálogo, muitas preciosidades brasileiras). Som Ambiente foi produzido por Durval Ferreira e executado pelos músicos que mais tarde formariam o grupo Azymuth! E já com aquela pegada característica do grupo. O repertório é basicamente de standards americanos como em "Where's The Love", "By The Time I Get To Phoenix/The Shadow Of Your Smile", "Love Theme (Godfather)", "Theme From Summer Of 42" e "Here's The Rainy Day", mas os melhores desempenhos estão nas nacionais "O Bofe" - de Roberto e Erasmo e em "Águas de Março/Bala com Bala".

terça-feira, 1 de julho de 2008

Dave Grusin - 3 Days of the Condor (1975)

Excelente trilha sonora do filme 3 Days of the Condor (1975), dirigido por Sidney Pollack com Robert Redford, Faye Dunaway e Max von Sydow no elenco. Com as músicas sob a responsabilidade de Dave Grusin, que criou brilhantemente o clima de suspense em que vive o personagem Condor (Redford), um perseguido agente da CIA, com jazz, batidas de funky e temas românticos e sombrios. Destaque para as faixas "Condor" - vinheta da extinta TV2 Guaíba de Porto Alegre, em que se evidenciavam as sessões de cinema com "Queimando Tudo" (Up In Smoke) e os documentários da alemã Transtel, "Flight Of the Condor", "Out To Lunch" e "Yellow Panic", e os temas "Goodbye for Kathy" e "Flashback To Terror".

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Antonio Adolfo

Pianista/compositor/aranjador/produtor e professor de música, esse é Antonio Adolfo, que ainda na infância começou seus estudos musicais - nasceu em 1947. Nos anos 60, inicia sua carreira, e em 1964 forma o Trio 3-D, com o qual grava quatro LP's, mas a partir de 1967, suas composições em parceria com Tibério Gaspar lhe rendem reconhecimento e sucesso em canções como: "Sá Marina" - na voz de Wilson Simonal e na finalista do II FIC "Caminhada". Em 1969 viajou a Europa acompanhando Elis Regina e na volta forma o conjunto A Brazuca, que classifica a música "Juliana", no FIC daquele ano, participa de trilhas sonoras de novelas da Globo, com as composições "Teletema", "Manequim" e "Ao redor" - todas com Tibério.

Em 1970, um dos maiores êxitos da dupla. Toni
Tornado (com o Trio Ternura) interpreta e vence o Festival da Canção com "Br-3", um soul com letra empolgante e sonoridade forte. Em 1972 grava seu primeiro álbum-solo para a Phillips e viaja aos EUA, onde estuda e se aprimora.

Em 1977, lança um pioneiro trabalho pelo s
elo Artezanal, chamado "Feito em Casa", que é o primeiro de uma série de LP's independentes (coisa rara na época), distribuido e vendido pelo próprio músico, com uma tiragem incial de 500 cópias - reeditado em cd pela Kuarup Discos, o álbum com influências do jazz, basicamente instrumental, conta com boas músicas como "Feito em Casa" e "Virry". Já "Viralata" (1979) é álbum mais funky, lembra um pouco Azymuth, na mescla do groove com o samba, como nas groovadas "Cascavel" e "Vira-Lata", e nas viajantes "Vermelhinho" e "Paraíba do Sul", um disco essencial.

Antonio Adolfo continua na ativa gravando e produzindo, em 2006 lançou "Ao Vivo" em parceria com a filha Carol Saboya.













quarta-feira, 25 de junho de 2008

Peter Herbolzheimer

Nasceu na Romênia em 31.12.1935, no ano de 1951 se mudou para a Alemanha, e em 1953 foi para os Estados Unidos, onde trabalhou tocando guitarra. Em 1957, volta para a Alemanha e adota o trombone como instrumento, começa tocando em orquestras como a de Bert Kämpfert, até que em 1969 forma a Rhythm Combination And Brass, que se apresentava por toda a Europa e acompanhava grandes nomes do jazz do quilate de Esther Phillips, Stan Getz, Nat Adderley, entre outros.

Durante os anos 70, gravou diversos álbuns como: Wide Open (MPS - 1973), com participação de Art Farmer no trumpete, álbum que abre com a latina "Frog Dance", as venenosas "Babo" e "Blue Dervish", e a orquestral "Nica's Dream". Waitaminute (MPS - 1973), um pedra funky-jazz, Hip-Walk (Polydor - 1976), com destaque para as faixas cantadas por Inga Rumpf, em "Superstition" e "Spirit" e as instrumentais, como na espetacular "Butterfly", na suingadas "Stoned Cockattoo" e "Hip Walk" e na bela "Jive Samba". I Hear Voices (Polydor - 1978), sessão menos inspirada, com mais vozes, mas com aqueles poderosos arranjos de metais.






































quinta-feira, 19 de junho de 2008

Stefano Torossi - Feelings (1975)

Pouco se sabe sobre o compositor italiano Stefano Torossi, a não ser por algumas músicas suas distribuídas em coletâneas de "Easy Tempo" italianas e o seu soberbo "Fellings" (1975), lançado originalmente na Itália pelo selo Carosello e aqui no Brasil pela Top Tape - com uma bela capa sexy! Sob o pseudônimo de Jay Richford e Gary Stevan, o disco tem uma sonoridade groovy-jazz classe "A" com aquele charmoso clima de crime-jazz-blaxploitation, acompanhado de fartos arranjos de cordas e metais, guitarras wah-wah e batidas devastadoras, esse é um daqueles álbuns que se curte da primeira a última música.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Jerry Butler and Jerry Peters - Melinda (1972)

O canário Jerry Butler e o produtor/aranjador/compositor Jerry Peters, foram os responsáveis por esta bela e fantástica trilha sonora do filme de blaxploitation "Melinda" (1972), estrelado por Vonetta McGee (Melinda), Rosalind Cash e Calvin Lockhart. A voz poderosa de Butler brilha, em um dos seus melhores momentos na carreira, na explosiva "Speak Truth To The People", e nas baladas "Melinda (Vocal)", "Love Is" e "Tank's Theme" - mas o destaque mesmo, são as faixas instrumentais, como "Part III", com um sensacional groove de clavinete, a recheada de sítara "Melinda Latino", e mais "Music For Tank's Boat", "I Can't Let You Go", e "The Blues (Dope Pusher's Theme)", completam esta imperdível trilha.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Noel Rosa

Como pedido de um parceiro, não se pode negar, pesquisei na Internet algumas coisas da vida e obra de Noel Rosa - Poeta da Vila, que viveu apenas 26 anos e foi um dos maiores compositores brasileiros. No vídeo, tocando com o Bando de Tangáras, do qual faziam parte os igualmente históricos Almirante e Braguinha, Noel está com o violão à esquerda.

Primeiro filho de seu Manoel e dona Marta de Medeiros Rosa, Noel veio ao mundo em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, RJ, em parto difícil - para não perderem mãe e filho, os médicos usaram o fórceps para ajudar, o que acabou causando-lhe a lesão no queixo, que o acompanhou por toda a vida.

Franzino, Noel aprendeu a tocar bandolim com sua mãe - era quando se sentia mais importante, lá no Colégio São Bento. Sentava-se para tocar, e todos os meninos e meninas paravam para ouvi-lo extasiados. Com o tempo, adotou o instrumento que seu pai tocava, o violão.

Magro e debilitado desde muito cedo, dona Marta vivia preocupada com o filho, pedindo-lhe que não se demorasse na rua e que voltasse cedo para casa. Sabendo, certa vez, que Noel iria à uma festa em um sábado, escondeu todas as suas roupas. Quando seus amigos chegaram para apanhá-lo, Noel grita, de seu quarto: "Com que roupa?" - no mesmo instante a inspiração para seu primeiro grande sucesso, gravado para o carnaval de 1931, onde vendeu 15000 discos!

Foi para a faculdade de medicina - alegria na família - mas a única coisa que isso lhe rendeu foi o samba "Coração" - ainda assim com erros anatômicos. O Rio perdeu um médico, o Brasil ganhou um dos maiores sambistas de todos os tempos.

Genial, tirava até de brigas motivo de inspiração. Wilson Batista, outro grande sambista da época, havia composto um samba chamado "Lenço no Pescoço", um ode à malandragem, muito comum nos sambas da época. Noel, que nunca perdia a chance de brincar com um bom tema, escreveu em resposta "Rapaz Folgado" (Deixa de arrastar o seu tamanco / Que tamanco nunca foi sandália / Tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha) . Wilson, irritado, compôs "O Mocinho da Vila, criticando o compositor e seu bairro. Noel respondeu novamente, com a fantástica "Feitiço da Vila". A briga já era um sucesso, todo mundo acompanhando. Wilson retorna com "Conversa Fiada" (É conversa fiada / Dizerem que os sambas / Na Vila têm feitiço) . Foi a deixa para Noel compor um dos seus mais famosos e cantados sambas, "Palpite Infeliz". Wilson Batista, ao invés de reconhecer a derrota, fez o triste papel de compor "Frankstein da Vila" , sobre o defeito físico de Noel. Noel não respondeu. Wilson insistiu compondo "Terra de Cego". Noel encerra a polêmica usando a mesma melodia de Wilson nessa última música, compondo "Deixa de Ser Convencido"

Noel era tímido e recatado, tinha vergonha da marca que trazia no rosto, evitava comer em público por causa do defeito e só relaxava bebendo ou compondo. Sem dinheiro, vivia às custas de poucos trocados que recebia de suas composições e do auxílio de sua mãe. Mas tudo que ganhava era gasto com a boemia, com as mulheres e com a bebida. Isso acelerou um processo crônico pulmonar que acabou em tuberculose.


Texto de Carô Murgel, disponível em:http://www.mpbnet.com.br/musicos/noel.rosa/

Discografia disponível em: http://sombarato.blogspot.com/search/label/Noel%20Rosa

sábado, 14 de junho de 2008

Beto Strada - Bacalhau (BACS) - 1976

Beto Strada, um dos mais experientes compositores brasileiros de trilhas sonoras, é autor de mais de 40 trilhas para filmes de longa-metragem, vinhetas e temas para diversas peças de teatro e programas de televisão, além de vastíssima produção de jingles e trilhas para comerciais de rádio e TV.

Em 1976, Strada compôs a trilha sonora do filme Bacalhau (BACS), uma bizarra adptação do filme Tubarão - uma comédia. As músicas mesclam em sua maioria, jazz-funk de primeira, como em "Tema de Ana", "Guitarra", "Passo de Ceci" e "Um Fado, Um Chorinho para o Bacalhau", com marchas divertidas e executadas por um competente grupo de músicos, reunidos pelo compositor e que são: Luiz Villar (teclados, arranjos), Fernando Belém (bateria, percussão), Bidinho (piston, sax, arranjos), Ivan (baixo), José Carlos (guitarra), Aécio Flávio (piano, modalidades), Luiz Roberto (baixo, guitarra acústica) e Tranka (baixo).

Resenha da revista Veja sobre o filme:

De todas as paródias brasileiras a grandes sucessos de bilheteria dos anos 70, a mais lendária é sem dúvida a nossa recriação de Tubarão, batizada sarcasticamente de Bacalhau ou Bac´s - só para tirar uma onda com o título original do filme do Spielberg (Jaw´s).

Um monstro marinho espalha o pânico entre os moradores de uma pacata cidade do litoral paulista. Depois que uma série de cadáveres (ou melhor, esqueletos) são encontrados na praia, o prefeito decide reunir esforços e caçar (quer dizer, pescar) o bicho. Um oceanógrafo português consegue descobrir que o monstro é na verdade o terrível Bacalhau da Guiné e usa pedaços de discos da Amália Rodrigues para atrair a criatura marinha.

Em diversas cenas do filme, aparece escrito na cauda do animal um incisivo made in Ribeirão Preto, cidade onde se localiza a firma de material náutico responsável pela construção da engenhoca, toda de fibra de vidro. “Apenas a cauda foi feita de cortiça, para uma mobilidade maior”, explicou um técnico. Na concepção inicial, alias, o bacalhau deveria ser movimentado por figurante Escondido no interior. “Só que ninguém teve coragem de permanecer lá dentro, devido à falta de ar”, comenta Adriano Stuart. “Mas até em uma superprodução como Tubarão o mecanismo eletrônico andou falhando. Por isso não me incomodo em dizer que o nosso peixe movimenta-se com finíssimos cabos de aço e fios de náilon”. Problemas mais grave enfrentou Stuart durante as filmagens. Ele e o mecânico bacalhau jamais chegaram a um entendimento harmonioso. Numa das sequências, por exemplo, o peixe deveria passar perto do barco de seus perseguidores. “Mas ele teimava em não obedecer ao comando. A certa altura, desisti de esperar, alterei o aquinaum, nadei até onde estava o bicho e matei o bacalhau a murros mesmo”.

(Veja, 26/05/1976)

O Fabuloso Fittipaldi (1973)

Com composições assinadas pelos irmãos Valle, Marcos e Paulo Sérgio, e magistralmente executadas pela banda Azymuth, que adotou esse nome durante a gravação por sugestão dos compositores e faz seu primeiro registro fonográfico, a trilha desta película, editada pela Phongram/Phillips, com temas cheio de groove e entremeados com os depoimentos do filme, é realmente surpreendente.

O filme "O Fabuloso Fittipaldi",
dirigido por Hector Babenco, é um documentário de longa-metragem centrado no piloto bi-campeão de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi, que mostra os treinos e as corridas, mas também o cotidiano do ídolo, sem ser o homem máquina, junto a família e à esposa Maria Helena.

Jamelão

Morreu na madrugada deste sábado (14) Jamelão, intérprete e presidente de honra da escola de samba Estação Primeira de Mangueira.

Jamelão tinha 95 anos e estava internado na Clínica Pinheiro Machado, no Rio de Janeiro, desde a última quinta-feira. Segundo nota da assessoria da Mangueira, o falecimento ocorreu às 4h da manhã por infecção grave.

José Bispo dos Santos, conhecido como Jamelão, nasceu em 12 de maio de 1913. Menino no morro da Mangueira, conviveu com os fundadores e os primeiros componentes da escola. Conheceu ainda na infância os primeiros componentes da Mangueira, e integrou a bateria da escola tocando tamborim. Logo aprendeu cavaquinho e passou a cantar em gafieiras, influenciado principalmente pelo estilo de Cyro Monteiro. Em 1945 participou do programa "Calouros em Desfile", comandado por Ary Barroso, interpretando "Ai, que Saudades da Amélia", de Ataulfo Alves e Mário Lago. A partir daí conseguiu trabalhos no rádio e em boates, participando também como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, com quem excursionou à Europa. Consagrou-se principalmente como cantor de samba, emplacando sucessos como "Fechei a Porta" (Sebastião Motta/ Ferreira dos Santos), "Leviana" (Zé Kéti), "Folha Morta" (Ary Barroso), "Não Põe a Mão" (P.S. Mutt/ A. Canegal/ B. Moreira), "Matriz ou Filial" (Lúcio Cardim), "Exaltação à Mangueira" (Enéas Brites/ Aluisio da Costa), "Eu Agora Sou Feliz" ( com Mestre Gato), "O Samba É Bom Assim" (Norival Reis/ Helio Nascimento) e "Quem Samba Fica" (com Tião Motorista). Nos anos 50 começou a atuar como puxador de samba-enredo para a Estação Primeira de Mangueira, tornando-se uma referência obrigatória no gênero. É o maior intérprete dos sambas-canções doloridos de Lupicínio Rodrigues - seu cantor preferido e com manteve estrita amizade, como em "Esses Moços", "Ela Disse-me Assim", "Torre de Babel", "Quem Há de Dizer", "Sozinha" e "Exemplo". Gravou dois LPs dedicados à obra do compositor gaúcho, acompanhado pela Orquestra Tabajara do maestro Severino Araújo: "Jamelão Interpreta Lupicínio Rodrigues" (1972) e "Recantando Mágoas - A Dor e Eu" (1987). Outro de seus álbuns igualmente importante é "Aqui Mora o Ritmo", com arranjos dos maestros Nelsinho, Astor e Guio de Morais, lançado pela Continental em 1962.














quarta-feira, 11 de junho de 2008

Clarence Wheelr And The Enforcers


O saxofonista de Chicago (EUA) Clarence Wheeler, registrou em 1970 pela Atlantic, o seu primeiro álbum intitulado Doin' What We Wanna, que mudou as bases do jazz com seu groove venenoso e completado por um incrível som de órgão - que fez história no funk. A banda The Enforcers era formada por Sonny Burke (órgão), Sonny Covington (trumpete e cowbell), George Hughes (bateria) e Judy Clay, Jackie Verdell e Cissy Houston - mãe de Whitney Houston (vocais). Gravaram petardos como as clássicas "Right On" e "Hey Jude", as funkeadas "Sham Time" e "Doin' What I Wanna" e pérolas como "Theme From Eletric Surfboard" e "Dream Bossa Nova", discoteca básica do fã de groove.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Blow Up - 1966 (Herbie Hancock)

Trilha do "cult" Blow Up, dirigido por Michelangelo Antonioni e estrelado por Vanessa Redgrave, Sarah Miles e David Hemmings. A música em questão foi composta magistralmente por Herbie Hancock, indiscutivilmente um dos grandes nomes da música, que com jazz e blues, conduz o ouvinte a uma viagem musical sessentista.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Lalo Schifrin - Trilhas sonoras

Lalo Schifrin, maestro, pianista, arranjador e compositor argentino, mestre das trilhas sonoras de fimes, criou temas famosos como por exemplo, o de Missão Impossível. Com um carreira brilhante, indicado mais de 21 vezes ao Grammy, do qual levou quatro prêmios. Schifrin gravou dezenas de álbuns, aqui coloco três discos do quais particularmente gosto muito e acredito que representam bem a evoluçao sonora do maestro.

The Liquidator (1965), não é um de seus melhores álbuns, mas já tem seu estilo em canções como "The Killer", "Carry On" e na bossa "Boysie's Bossa" - em duas versões, a faixa título é interpretada por Shiley Bassey.

Bullitt (1968), clássico filme estraldo por Steve McQueen. Um soberbo álbum, uma mistura perfeita de funk, pop, bossa e jazz. Onde cena e música se confundem em composições como "Bullitt", "Room 26", "On the Way To San Mateo" e "Shifting Gears".

Enter The Dragon (1973), trilha do filme que mostrou a Hollywood, o que realmente poderia ser uma película de ação com kung-fu, e com Lalo Schifrin no auge, trabalhando em uma mistura de matérias-primas, com guitarras, baixo evolutivo e ritmos de groove tão rápido como o mover das mãos de Bruce Lee na tela. O álbum faz parte da discoteca básica das trilhas sonoras dos anos 70, e merece toda a atenção que tem sido dado a ela ao longo dos anos. Títulos incluídos no clássico: "Theme From Enter The Dragon", mais "Bamboo Bird Cage", "The Monk", "Han's Island", "The Big Battle" e "The Fly Man".