sábado, 30 de junho de 2012

Groove James - 001 (2003)

A banda Groove James, reunida em 1997 em Porto Alegre, está disponibilizando para download o seu primeiro e único álbum intitulado "001", lançado em 2003 pela Orbeat Music, a "bolachinha" contou com a produção musical de Edu K. A trupe formada por Lica Tito, Jaison, Lao, Sassá, Chicão, Fruet, Chaves, Marin e Tião, tem por intenção, já que o CD está fora de catalogo há alguns anos, em recordar e dividir com seus amigos e fãs estas músicas que foram fruto de um intenso trabalho e do qual se orgulham muito.
 Foto da última apresentação do grupo no bar Ocidente. 10/05/2012


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tom Jobim


Há exatos 85 anos nascia o maestro Tom Jobim, um dos maiores patrimônios da música brasileira. 


Leny Andrade


A cantora Leny Andrade completa 69 anos nesta quarta-feira dia 25/01. Nascida no Rio de Janeiro, começou sua carreira ainda nos anos 1950 como crooner de bares e boates noturnas combinando samba com jazz, em 1961 lançou "A Sensação" seu primeiro álbum com essas claras influências. Leny Andrade segue em atividade em suas diversas apresentações e  infelizmente, em esporádicas gravações.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Nara Leão


Em dia de se homenagear os 30 anos da partida de Elis Regina, também é dia dos 70 anos de nascimento da musa bossa-novista Nara Leão. A cantora nasceu em Vitória-ES, mas logo se mudou com a família para o Rio de Janeiro, em seu apartamento na Avenida Atlântica em Copacabana, aconteceram as famosas reuniões musicais frequentadas por diversos nomes ligados à Bossa Nova. Sempre pioneira, fez parte ao lado de Zé Kéti e João do Vale do show Opinião, resgatou composições de sambistas do morro, promoveu o lançamento de novos compositores e participou da Tropicália. Nos anos 70 cursou Psicologia na PUC-Rio e gravou diversos álbuns, incluindo o irretocável "Os Meus Amigos São Um Barato" (Philips, 1977) contando com as luxuosas composições e participações de Tom Jobim, João Donato, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Erasmo Carlos, Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Dominguinhos e Nelson Rufino. Até a sua prematura morte em 1989 seguiu cantando e gravando, deixando uma desmedida lacuna na música popular.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Gisa Nogueira - Saldo Positivo



A cantora e compositora Gisa Nogueira, irmã do sambista João Nogueira, completa 73 anos nesta quinta dia 15/12. Suas composições foram gravadas com maestria por nomes como Clara Nunes, Beth Carvalho e pelo o seu irmão. Lançou pela gravadora Odeon em 1978 o álbum "Saldo Positivo", seu primeiro trabalho solo, que resulta em excelentes músicas como "Verdade Aparente", "Opção", "Saldo Positivo" e "Peito Magoado". Criada no Méier em ambiente musical, tem uma extensa carreira ligada ao samba de raiz, fez parte do Clube do Samba e participou em 1980, ao lado de Dona Ivone Lara e Leci Brandão, de uma histórica turnê do Projeto Pixinguinha que passou por diversas cidades brasileiras.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Our Latin Thing (1971)


A película "Our Latin Thing" (1971) que apresenta a salsa ao mundo, é um show do grupo Fania All Stars realizado em Nova York e o que se ouve na fita gravada a 40 anos atrás é o melhor do ritmo latino. O documentário vai além da música e estende seu olhar sobre as ruas do bairro e a seu povo. Imperdível!!!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ruy Maurity

Em um dia especial como o de hoje, não posso deixar passar desapercebido o aniversário de 62 anos do compositor, instrumentista e cantor Ruy Maurity. Irmão do genial pianista Antonio Adolfo, fez sucesso principalmente na década de setenta com suas canções de temática regional como "Nem Ouro, Nem Prata" e "Serafim e Seus Filhos", teve outras de suas músicas incluídas em novelas globais como "Escalada" e "Fogo Sobre a Terra" e hoje infelizmente pouco se ouve ou se fala sobre ele.

Wilson Moreira

Os 75 anos completados neste dia 12/12 do sambista, compositor e cantor Wilson Moreira. Desde pequeno se interessou por música e sempre esteve ligado a escolas e rodas de samba, suas composições foram gravadas por diversos medalhões da MPB e tem uma prolífica parceria com Nei Lopes, em 1980 lançaram pela EMI o LP "A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes" com muitos de seus sucessos como "Gostoso Veneno". Um salve a essa lenda viva da música brasileira.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Nani Medeiros - O Tempo


Nani Medeiros é uma cantora porto-alegrense de 25 anos que está lançando o seu primeiro single, após a boa repercussão do clipe de "Me Faz Bem", música de Jorge Drexler adptada por Paulinho Moska. O tune "O Tempo" conta com a certeira produção de Fapo, que encaixa perfeitamente com a primorosa voz de Nani Medeiros. Confira o clipe e baixe a música!!!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Odair José – O Filho de José e Maria (1977)

Disco maldito de um artista de sucesso popular e comercial, o “terror das empregadas” no anos setenta, sempre tachado de brega pela crítica por suas canções românticas e carnais. Com o conceitual projeto de uma ópera-rock, muito ousado e diferente do que fazia, Odair José esperava repaginar a sua carreira e garantir um lugar no circuito cultural, o que acabou não acontecendo, pois as suas músicas não tocaram nas rádios, seu público não compreendeu a mensagem, deixando o disco encalhado nas lojas. Segundo Paulo César de Araújo, autor do imprescindível livro Eu Não Sou Cachorro, Não (Record, 2005), o tema do álbum é “a história do nascimento, vida e morte de um jovem pederasta – o filho de José e Maria, que após longos anos de processo de solidão e rejeição social, assume a sua sexualidade e, aos 33 anos, encontra a plenitude e a felicidade. O texto faria uma livre adaptação da história de Cristo para os dias atuais.”. Para o compositor, o protagonista poderia ser o carnavalesco Clóvis Bornay. A história pareceu confusa e perigosa aos executivos da gravadora Phonogram, que se recusaram a realizar o disco, mas o cantor firme em sua decisão transferiu-se para a RCA que abraçou o projeto. Sob a influência dos livros do místico árabe Gibran Kalil Gibran e pelos discos de Joe Walsh, Humble Pie, Jeff Beck e Peter Frampton, pesquisava e trabalhava em uma sonoridade de puro rock’n’roll para as suas composições e escalou um timaço de músicos para acompanhá-lo nas gravações, entre eles, Robson Jorge (piano e Fender Rhodes), Hyldon (guitarra), José Roberto (órgão, clavinete, Arp strings), Alexandre (baixo Fender), Ivan “Mamão” (bateria), Jaime Alem (guitarra e violão), José Lanforge (voice box e harmônica), Don Charley nos arranjos de sopro e cordas, Durval Ferreira na direção artística, além do próprio Odair José, responsável pela guitarra, violão e arranjos de base. O álbum O Filho de José e Maria (RCA/Victor, 1977) chegou ao mercado em maio daquele ano e por seu tema ser polêmico, não foi tolerado pela Igreja que achou a história um absurdo, chegando ao ponto de alguns padres ameaçarem excomungar o cantor, principalmente por músicas como “O Casamento”, na qual defende a idéia de que José e Maria não eram casados quando seu filho foi concebido. Na primeira faixa “Nunca Mais” ele já avisa “Eu agora sou bem diferente / não se assustem e nem se preocupem / só que agora nada mais me encuca.../ e os meus traumas fui deixando prá trás / e o meu passado não me assusta mais”, mais a mudança de conceitos em “Não Me Venda Grilos (Por Direito)”, a balada de “Só Prá Mim, Prá Mais Ninguém”, a procura do desconhecido em “É Assim...”, os sonhos e as ilusões em “Fora da Realidade”, os abalos na infância provocado pela separação dos pais em “O Filho de José e Maria”, as verdades da vida em “O Sonho Terminou”, as carências e a solidão em “De Volta Às Verdadeiras Origens” e “Que Loucura” que diz “essa foi minha história / mas podia ser a de vocês...”. O mote do disco é realmente polêmico, musicalmente é muito bom e vale a audição de mais um LP perdido pelos sebos, esquecido pela mídia e abandonado pelos próprios fãs.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Os Famks – Famks (1978)

Conjunto que animou diversos bailes no Rio de Janeiro durante a década de 70 com seu repertório pop, também foram os precursores na utilização da luz negra e dos painéis fosforescentes em shows. Em 1979, gravaram com sucesso uma vinheta de natal para uma rádio carioca e por sugestão do produtor musical Mariozinho Rocha, que queria dar “uma nova cara” à banda, trocaram o nome para Roupa Nova, o que certamente acarretou uma reviravolta em suas carreiras, tornando-os mais conhecidos e famosos, e emplacando sucessos nas rádios e trilhas sonoras de novelas. Voltando ao foco principal, o álbum Famks (EMI-Odeon, 1978) segundo e último registro do combo formado por Paulinho (vocal), Kiko (guitarra), Nando (baixo), Kléberson (teclados), Ricardo (teclados) e Fefê (bateria). Imersos na onda da disco music e no farto uso de teclados eletrônicos, produziram músicas dançantes como “Vem Dançar” e o hit “Sempre Te Tratei Numa Boa” de Ronaldo, Mani e Lincoln Olivetti, seguido por algumas canções pouco expressivas e irregulares, com breve destaque para “Preciso Te Encontrar” e “Todo Mundo Fala”. O creme fica para o final do disco, nas brilhantes faixas “Riso Amarelo” e “Labirinto”, que levam a assinatura da dupla de músicos e produtores Lincoln Olivetti e Robson Jorge.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Azimüth – Compacto (1975)

Verdadeira relíquia este compacto do conjunto Azimüth editado pelo selo Polydor no ano de 1975 e que se notabilizou por conter o hit “Melô da Cuíca”, presente na trilha sonora da novela global Pecado Capital. O ‘7 polegadas’ tem mesmo o carimbo de raridade, o grupo se chamava germanicamente de Azimüth e na sua formação além do trio José Roberto Bertrami, Alex Malheiros e Ivan Miguel Conti, o Mamão, ainda contava com o percussionista Ariovaldo Contesini. A utilização de instrumentos eletrônicos como os teclados Arp 2. 600, Arp Odissey, Arp Strings, Fender Rhodes 88, Hammond e M. 102 pilotados por Bertrami, o baixo Vox, Rickenbacker, Mutron Phasc e Bad Stone, tocados por Malheiros juntamente da parte percussiva de bateria, apitos e triguilhas, de Mamão e Ariovaldo, mais o caldeirão de influências com os ritmos e melodias do samba, jazz, rock e funk, são os ingredientes para estes músicos, desprendidos de rótulos, criarem uma sonoridade única e original. Faixas como a psicodélica “Zombie”, cheia de quebradas e viradas de bateria, a já citada “Melô da Cuíca” com direito a um frenético solo, “Que É Que Você Vai Fazer Nesse Carnaval” com pegada de escola de samba e letra de Hélio Matheus e “Tempos Atrás” tema de levada sutil e aprimorada, não me contrariam. As participações especiais ficaram por conta de Carlinhos da Mocidade (repique), Doutor (repique de mão), Testa (pandeiro), Neném (cuíca), Báo da Mocidade (surdo de 3ª), Hermes (ritmos), Tony e Gastão (vocal), a direção de produção foi de Guti e Carlos Lemos com os arranjos da própria banda.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Azambuja & Cia. (1975)

Genial trabalho de composição da dupla Arnaud Rodrigues e Chico Anysio para a trilha sonora do seriado televisivo Azambuja & Cia que foi ao ar na temporada de 1975, o personagem principal, um malandro capaz dos maiores trambiques para se dar bem, era magistralmente interpretado por Chico Anysio e no elenco figuravam Arnaud Rodrigues, também autor dos textos, como o imediato Bilico, Tião Macalé era o cego Stevie Wonder, Dorinha Doval (Nega Brechó), Dalto Ferreira (Trivelato), Tião Olímpio (Pernambuco) e Paulo Rodrigues (MacPherson), fora as participações especiais. O álbum curiosamente contém duas faixas de monólogos onde são contados alguns dos causos e peripécias de Azambuja, algumas hilariantes, mas a excelência está nos diamantes musicais deste álbum Azambuja & Cia. (CID, 1975), como “Nega Brechó”, uma reverência de quem vem de longe para ver sua musa com destaque para o belo solo de gaita, “Ao Bilico”, uma das canções mais legais da bolacha tem fino acompanhamento de piano Rhodes, “Tema de Azambuja”, de levada hipnótica que exalta as raízes africanas do “negro de babalaô” nascido no berço do samba, “Maristela”, tributo a amada que é a rainha do morro, porta-bandeira e solução da paz com a participação de Arnaud Rodrigues, “O Poste da Rua Jorge Lima”, nostálgico samba brejeiro que relembra as molecagens da turma no local em que se formou, se encontrou e que a vida separou, “Verde”, tema instrumental preenchido de teclados com efeitos e a “A Turma”, outra instrumental, porém mais melodiosa. Como não poderia deixar de ser diferente, os compositores se cercaram de ótimos músicos para as gravações, tocaram nas sessões Victor Assis Brasil, Conjunto Azimuth, Celso Woltzen, Mauricio Einhorn e Durval Ferreira, que também atuou como produtor e diretor artístico e os arranjos ficaram nas sábias mãos de José Roberto Bertrami e José Menezes. E também não poderia faltar o peculiar alerta de Azambuja para este registro na contracapa: “Este disco é um barato e fará sucesso não apenas no Brasil, como também na França e se facilitar em Paris. É iço aí, malandro”.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jackson do Pandeiro – Alegria Minha Gente (1978)

O paraibano Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), o “Rei do ritmo”, começou a carreira nos anos 40 tocando em cabarés e rádios de João Pessoa, por volta de 1953 transferiu-se com sua mulher, a compositora Almira Castilho para o Rio de Janeiro e logo foi contratado pela então poderosa Rádio Nacional. Virou sucesso com seu jeito ladino de cantar baiões, cocos e sambas, gravou inúmeros discos e influenciou muita gente. Entretanto, uma das passagens mais curiosas de sua vida foi o seu envolvimento entre os anos de 1973 e 1978 com a Cultura Racional, era um ativista fervoroso e estudioso dos livros “Universo em desencanto”, incluindo até algumas músicas com a temática racional em seu repertório. No álbum Alegria Minha Gente (Alvorada / Chantecler, 1978), Jackson do Pandeiro que aparece na capa usando uma corrente com o símbolo da cultura, registrou duas composições racionais de autoria de João Lemos, “Alegria Minha Gente” em que diz: “Alegria minha gente! / que a salvação chegou / batam palmas e digam viva! / ao racional superior”, e “Luz do Saber” que em seus versos avisa: “Olha aqui! / preste atenção, vou falar / a cultura racional / tá aí para ensinar”, mas também tem picardia e ritmo em “Mulher malvada”, “Vida dos outros”, “A estória do anel” e “Tambor de crioula”, os cumprimentos a Dominguinhos – que tá chamando você prá forrófiar, em “Xodó no Forró”, a esperança em Santo Antônio para acabar com a solidão em “Mundo novo”, a bonança cotidiana em “Não me falta nada”, a saudade das raízes em “Alô Palmeiras dos Índios” e o sofrimento e a luta dos escravos em “13 de maio”. O LP não tem ficha técnica de quais instrumentistas participaram das gravações, nem da famosa cozinha percussiva, porém o suingue que se ouve energiza qualquer aficionado em vinis perdidos no tempo. Lasca!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tony & Frankye (1971)

A dupla de cantores paulistas Luís Antonio Bizarro, o Tony e Fortunato Arduini, o Frankye, se esbarraram pelas andanças na boate Cave, reduto dos músicos que tocavam soul music em São Paulo e na formação do conjunto Top Five, em 1968 radicaram-se no Rio e logo gravaram dois compactos que chamaram a atenção de Roberto Carlos e de gravadoras, um deles contém a primeira gravação de “Adeus, Amigo Vagabundo” incluída no disco solo de Tony (Nosso Inverno / CBS, 1977) e a encantadora “Viu, Menina”. Em seguida, partiram para o registro de seu único, precioso e disputado álbum intitulado singelamente de Tony & Frankye (CBS, 1971) em uma atrevida mescla de soul, funk, ritmos latinos e toques de psicodelia, sob a direção artística de Raul Seixas, com composições próprias e de outros autores como Tim Maia, Raulzito, Luis Vagner, Robson Jorge, Carlos Lemos, Getulio Cortes, entre outros. A bolacha abre com a dinamite “Vou Procurar Meu Lugar” versão do duo para "Thank You (Falettinme Be Mice Elf Again)" de Sly Stone, segue com o forró “Vamos Lá Prá Ver“, que foi um dos seus maiores sucessos, passa pela latinidade de “Patati, Patatá” em homenagem ao guitarrista Carlos Santana, pelas lisérgicas “Trifocal”, “Depois Da Chuva No Posto 4” e “O Uriapuru”, nas letais que botam prá derreter “Broken Heart” e “Alma Brasileira” em versão instrumental, sem contar as baladas poéticas de “Hoje É Quarta-Feira”, “Estou Perdido No Meio da Rua”, “Que Eu Acabei Com Nosso Amor” e “Canção de Esperar Você”, que fecha o LP. Infelizmente a dupla se desfez prematuramente com a saída de Frankye um ano após o lançamento do disco, que assumidamente alucinou ao tomar ácido e cair na estrada por uns quatro anos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Jaime Delgado Aparicio – El Embajador Y Yo (OST, 1966)

El Embajador Y Yo é um filme produzido no Peru no estilo típico de comédia com ação dos anos 60, esperto e leve, com o personagem principal protagonizado por Kiko Ledgard, ilustre apresentador de TV de seu país, dirigido por Oscar Kanton e com esta delirante trilha sonora composta e arranjada pelo maestro e pianista peruano Jaime Delgado Aparício (Lima, 1943-1983) de formação clássica, mas um apaixonado por jazz que desde pibe demonstrou interesse pelo piano, estudou música nos Estados Unidos e Europa, onde começou a compor para filmes e na volta ao seu país dirigiu a Orquestra Sinfónica Nacional. Neste álbum, ele demonstra toda a sua habilidade no comando de uma big-band com criativos arranjos em surpreendentes temas como nas praianas “Surf Sexy” e “Surf Del Embajador”, nas nuances e no ritmo de “Todo El Mundo Me Persiegue”, “Lucha En El Mar” e da faixa-título “El Embajador Y Yo”, na misteriosa “Llegando A La Capital”, na imponente com inspirado arranjo de sopros “Isometria”, na romântica “La Araña” em versão instrumental com belo solo de sax e a cantada por Patrícia Aspillaga, que fazia parte do elenco da película e na orquestrada recheada de cordas “Gran Final”, todas elas extraordinárias composições que com muito groovy e elegância, devem ser demoradamente desfrutadas. O selo Vampisoul reeditou licenciado da empresa peruana IEMPSA/Decibel, este disco em 2007 com cinco faixas bônus de Jaime Delgado Aparicio à frente de seu Jazz Trio.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Luiz Loy Quinteto Interpreta Chico Buarque de Hollanda (1967)

O maestro e pianista paulista Luiz Machado Pereira, mais conhecido como Luiz Loy, atuou por muitos anos em conjuntos de televisão, de teatros e nos bailes e boates, entretanto, gravou inúmeros álbuns à frente de seu próprio grupo, como o disco Luiz Loy Quinteto Interpreta Chico Buarque de Hollanda (RGE, 1967) onde ele presta uma justa homenagem ao compositor que ainda moço, estava em início de carreira, porém com uma obra já madura. Passeando por essas composições de sua fase inicial, um surpreso Chico faz elogios na contracapa, a capacidade, a coragem e a dedicação do quinteto em interpretar seus sambas de forma instrumental, e questionava (já nessa época!) este projeto como sendo comercialmente ousado. Estão presentes neste registro, sucessos indiscutíveis e memoráveis como “A Banda”, “Noite dos Mascarados”, “A Rita” e “Quem Te Viu, Quem Te Vê”, que abre o LP, as preciosidades de “Tem Mais Samba”, “Sonho De Um Carnaval”, “Será Que Cristina Volta”, “Amanhã, Ninguém Sabe”, “Você Não Ouviu Nada”, “Madalena Foi Pro Mar”, “Meu Refrão” e “Olé, Olá”, todas gravadas em toques de arranjos jazzísticos, suingue e autoridade. O quinteto formado por Luiz Loy (piano), Bandeira (baixo), Zinho (bateria), Papudinho (piston) e Mazzola (sax-tenor), toca de forma harmoniosa e se aproveita das belas melodias das composições originais para transmitir inspiração em sua musicalidade e execução.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Antonio Carlos & Jocafi (1973)

Antonio Carlos e Jocafi, dupla de compositores e cantores baianos, autores de diversos sambas que muito transitaram pelas paradas de sucesso. Em seu terceiro álbum Antonio Carlos & Jocafi (RCA, 1973), o duo com seu jeito peculiar de composição em que mesclavam afro-sambas, coco, baião, cânticos de escravos, mais uma pitada de jazz e soul, para criar uma sonoridade singular e registrar um primoroso disco, basta ouvir o funkão “Xamego de Iná”, o gospel gregoriano de “Glorioso Santo Antônio”, o suingue de “Gamela (As ‘Moça’)”, a guapa “Por Nossa Senhora”, acompanhado de um fino arranjo de sopros e base, o galenteio sóbrio de “Dona de Casa”, impossível não falar do groove hipnótico e uma das faixas mais inspiradas do álbum “Tereza Guerreira”, que cansada de guerra foi guerrear, o divertido bolero “Te Quiero”, os casos e os acasos, as aventuras e as desventuras da paixão na sabedoria dos sambas de “Teimosa”, “Franqueza” e “Deixe Que É Dengo Dela”, a lenda e o folclore em “Sanfona Veia” e a maluca homenagem “Um Abraço No Lucien Extensivo Ao Edu Lobo” com participação da cantora Maria Creuza. Um expressivo número de músicos participou das gravações, o pessoal segurou o rojão e não deixou cair, prestando sua colaboração por seu talento, entre eles estão Waltel Branco (guitarra), Neco (violão de 12 cordas), Aldo e Capacete (baixo), Pascoal (bateria), Edson Frederico (piano e arranjos), Halley (órgão), Caçulinha e Chiquinho (acordeon), Pedro Sorongo (tambores), Chico Batera (percussão), Carlinhos Pandeiro de Ouro (pandeiro), Edson Maciel e Edmundo Maciel (trombone tenor), Celso e Jorginho (flauta), Pinduca (xilofone e bells), Fumagalli (harpa), Vania Ferreira e Cláudia Mello (vozes femininas), A Máfia (coro), Rildo Hora (gaita e também diretor de estúdio) e Leonardo Bruno (arranjos e regência).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Leci Brandão – Questão de Gosto (1976)

Sambista ligada à ala de compositores da escola de samba Mangueira e uma das mulheres mais importantes do mundo do samba por sua atuação e pesquisa. Em seu segundo álbum Questão de Gosto (Polydor, 1976), com texto da contracapa escrito por Martinho da Vila, Leci Brandão apresenta doze faixas poéticas e melódicas que prezam pela qualidade e confirmadas nas suas composições, “Ser Mulher (Amélia de Verdade)”, que afirma seu ponto de vista da conduta da mulher perante o homem, na seresta crítica aos falsos sambistas em “Ritual”, na história da cinderela com final infeliz de “Maria Bela, Maria Feia”, na meditativa com luxuoso solo de clarinete em “As Pessoas e Eles”, no partido-alto astral positivista de “Deixa Prá Lá”, nas escolhas em “Questão de Gosto”, no recado magoado de “...E Tudo Bem”, no bolero “Madrugadas Paulistas” e na inspirada “Mãos Libertas” em parceria com André. Ela também interpreta sambas de outros autores e canta a incompatibilidade amorosa na divertida “Mulatinho” de Martinho da Vila, a súplica melancólica em “Epitáfio De Um Sambista” de Wilson Bombeiro e a luta e o cotidiano do povo negro escravo em “Casa Grande e Senzala” (Samba enredo da Mangueira de 1964) de Zagaia, Comprido e Leleo. Um time esperto de músicos o a acompanhou nesta gravação, entre eles Dino (violão de 7 cordas), Helinho, Mão de Vaca e Jorginho Urubu (violões), Mané do Cavaco e Alceu (cavaquinhos), Papão, Wilson das Neves e Mamão (bateria), Alexandre e Luizão (contra-baixo), Hélio Capucci (guitarra), Menezes (bandolim), Jorginho (flauta), Barreto (piston), Ed Maciel (trombone), Jayme (sax tenor), Mario Kupe (clarinete), pessoal do ritmo Zeca da Cuíca, Serginho e Testa (pandeiros), Geraldo (bongô), Hermes, Ariovaldo, Wilson Canegal, Doutor, Ronaldo, Chacal, Ovídio, Elizeu, Luna, Risadinha, Bezerra e Carlinhos da Mocidade, Kojac (coro pesado), Angela, Malu, Cybele, Amaro, Ronaldo e Gastão (coro leve), mais participação de Paulo Moura não creditada, a parte técnica sob a direção artística de Roberto Menescal e arranjos e regências de Ivan Paulo. Um disco de samba, mas ao mesmo tempo provocativo e de muito talento, que agrega outras influências sem aquele receio imaculado de se perder a autenticidade.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Hyldon - Sabor de Amor (1981)

O baiano Hyldon, cantor e instrumentista, formou ao lado de Tim Maia e Cassiano a tríade da soul music brasileira nos anos 70, além disso produziu e tocou com diversos artistas, entre eles o próprio Tim, Wilson Simonal, Tony Tornado e Erasmo Carlos. O álbum Sabor de Amor (Continental, 1981) é o quarto de sua carreira e talvez o mais consistente musicalmente, pelas belas composições de sua autoria e pelo pulsante instrumental apresentado, que teve como banda de apoio os músicos Alexandre Malheiros (baixo), Ivan Miguel Mamão (bateria), Sérgio Carvalho (Hammond e piano Fender), Zé Roberto Bertrami (sintetizadores), mais a participação de Antonio Adolfo (piano Yamaha), Márcio Montarroyos (flughhorn), Renato Piau (guitarra), Mário Monteiro Picolé (bateria) e Grupo Alma Brasileira (percussão), ou seja, só fera atacou nas gravações. O LP abre com a levada despreocupada de “Vadiagem” e viaja pelas baladas “Sabor de Amor”, “Siga O Teu Caminho”, “Amor, Riso e Lágrimas”, com elegante solo de Montarroyos e “São Conrado”, homenagem a praia estampada na capa, também merecem destaque as canções “Cubana”, de irresistível balanço latino, “Leva-La-Ei (Like A Bird Flying)”, “Amor Na Terra Do Berimbau” e “Vem Dançar o Samba”. Um disco raro e altamente recomendável, que contém boas músicas, devendo ser ouvido sem pressa para poder se contemplar os detalhes dos arranjos.